80% dos jovens jornalistas realizaram estágios

Segundo dados da Embaixada Alemã no Brasil, 80% dos novos profissionais que chegam ao mercado de trabalho jornalístico realizaram estágio. Anualmente, os jornais diários são os que oferecem o maior número de vagas (1.100), seguido pelas revistas (800), emissoras de rádio (400) e grandes empresas de radiodifusão (200).

Segundo dados da Embaixada, anualmente, são oferecidas 2.500 vagas de estágio em Jornalismo na Alemanha.

O “voluntariat” (como é chamado o estágio na Alemanha), foi criado em 1990 para definir regras à educação formal de jornalismo (no período, não existiam cursos acadêmicos na área).

Não há uma lei que obrigue os jornalistas a terem uma formação específica. Além dos cursos universitários de jornalismo, uma forma de aprender o ofício é através do concorrido programa de treinamento de dois anos. Hoje, existe um “Grupo Profissional de Jovens Jornalistas”, da Associação dos Jornalistas Alemães (DJV) com o objetivo de garantir o cumprimento das regras e uma experiência que realmente agregue conhecimentos fundamentais ao estudante.

O que é ser jornalista para eles?

A Associação dos Jornalistas da Alemanha (DJV) define a profissão como: “a base para garantir que cada cidadão reconheça suas forças na sociedade e no processo de expressão política e possa participar na tomada de decisões”, em outras palavras “são os pré-requisitos para o funcionamento do Estado democrático”.

Segundo os preceitos do DJV, além de responsabilidade social, capacidade de empatia, criatividade e habilidades linguísticas, o profissional deve apresentar domínio sobre as diversas técnicas da mídia, ter habilidades de design para produtos publicitários, dominar diferentes métodos de pesquisa e análise de mensagens, ter conhecimentos básicos da lei (relacionados à mídia).

Pesquisas divulgadas pela Embaixada e Consulados Gerais da Alemanha no Brasil revelam que o jornalista alemão típico é do sexo masculino, na faixa dos 41 anos, de classe média, comprometido, mas sem filhos, com formação universitária e experiência em estágios no início da carreira. Ele trabalha na mídia impressa recebendo aproximadamente 2.300 euros líquidos por mês.

Pioneirismo no Processo de Bolonha

A Alemanha foi um dos primeiros países a manifestar interesse em um espaço comum de ensino superior na Europa. Entusiasta do Processo de Bolonha, Peter Zervakis, coordenador do processo na Conferência dos Reitores Alemães (HRK), afirma que desde os anos 70, a Alemanha não tinha vivenciado uma reforma tão abrangente no estudo e no ensino.


“Isso tem a ver com tornar o estudo mais compatível com a profissão”, Peter Zervakis.

”O antigo sistema abria espaço para muita ineficiência. Além do que, nele priorizávamos a profissão do pesquisador, do cientista. Hoje sabemos que somente uma pequena parcela dos estudantes se interessa em seguir esse caminho”, completa Zervakis (entrevista disponível no site da Deutsche Welle).

No antigo sistema, poucas matérias eram exigidas e os estudantes podiam escolher entre uma grande variedade de aulas. Se o aluno fosse aprovado nas obrigatórias e tivesse freqüentado regularmente um número mínimo de matérias opcionais, poderia se inscrever para os exames finais.

A partir de 2003, as instituições alemãs passaram a oferecer os títulos de Bachelor (bacharelado de 3 anos de duração), Master (mestrado, 2 anos) e Promotion (doutorado, 3 anos) em equivalência com os títulos acadêmicos do Espaço Europeu de Ensino Superior.

No bacharelado, os estudantes aprendem método de trabalho científico, metodologia de investigação e fundamentos de cada disciplina. Há, então, um exame intermediário. Se o aluno for aprovado está apto a cursar disciplinas mais específicas. Quando terminam o curso, os estudantes recebem um Diploma e um Suplemento de Diploma, que comprovam suas qualificações acadêmicas e também as habilidades e competências que adquiriram na graduação.

Aqui, o aluno já se torna um profissional e pode atuar no mercado de trabalho, ou prosseguir seus estudos em programas de mestrado e doutorado (que só é possível em uma universidade de investigação – Universität).

*Com informações da dissertação de mestrado “Transformações da Educação Superior na Europa” e da European Commission.

A onda alemã

A Embaixada da República Federal da Alemanha no Brasil em parceria com a Deutsche Welle disponibiliza uma vasta quantidade de informações sobre o ensino germânico. No portal da Embaixada, além de informações burocráticas, estão disponibilizados dados interessantes sobre o estudo de jornalismo e o cenário midiático do país.

A Deutsche Welle (DW – “onda alemã” em português) é o equivalente alemão a redes como BBC World. Trata-se de uma empresa de radiodifusão (membro da rede pública de televisão ARD) que produz conteúdo online em 30 línguas, inclusive, português.

A DW é a 10ª maior emissora do mundo, recentemente foi transformada em uma empresa trimídia. O Parlamento Alemão aprovou uma lei que transforma a DW em uma empresa em que a oferta de conteúdo online se equipara aos departamentos de rádio e TV.

Um dos resultados da parceria entre Embaixada e a DW é o portal AlemanJA.org, destinado à comunidade lusófona. Além de dados sobre a diversidade e atualidade, o portal também realiza uma série de vídeos sobre a mídia e o jornalismo alemão.


Clique para assistir.

Desafio linguístico

Segundo dados do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD) mais de 20 milhões de pessoas estão aprendendo ou falando alemão no mundo. Na Europa, o alemão está na segunda posição entre as línguas estrangeiras mais ensinadas nas escolas e universidades.

A importância desse idioma na área acadêmica é realmente expressiva. Apesar de um passado áureo em que o ensino e a pesquisa, principalmente em algumas áreas como química e física, eram ancorados sobre a língua, hoje o alemão permanece sendo uma das mais fortes e populares línguas estrangeiras.

Cerca de 12% dos livros produzidos, em nível mundial, estão escritos em alemão. Além disso, a língua é a segunda mais utilizada na internet (tanto em relação à oferta de conteúdo, quanto ao uso em buscas).

De 1995 até 2011, o número de estudantes que se dedicam ao idioma no Brasil subiu de 30 para 70 mil. Apesar de não ser uma dessas estudantes, este blog será dedicado ao ensino de Jornalismo na Alemanha. Os leitores poderão acompanhar o desafio lingüístico e, é claro, informações sobre o amplo cenário alemão de estudos em Jornalismo.

Somente em relação ao ensino de Jornalismo, existem mais de 40 institutos que oferecem qualificação e aperfeiçoamento na Alemanha. Não será possível abordar todas elas, mas questões fundamentais ao ensino jornalístico, como os estágios (voluntariat), o Processo de Bolonha, a definição do jornalismo, o perfil dos jornalistas e os diferentes tipos de instituições serão tratados com maior profundidade.